Arquivo Anual: 2008

Sugestões de Leitura (16)

A educação em Portugal

Escola de Barcelos permite transição de ano com 5 negativas

Os alunos que esta segunda-feira começaram o 7º ano de escolaridade na escola básica 2,3 de Manhente, concelho de Barcelos, foram recebidos com uma novidade: poderão passar para o 8º ano com cinco negativas desde que duas delas não sejam Português e Matemática.

A norma não é ilegal. O despacho normativo nº 50/2005 – já aprovado na gestão de Maria de Lurdes Rodrigues – dá autonomia aos Conselhos de Turma e Pedagógicos para aprovarem as transições.

[...]

Um dia destes, as notas nem sequer serão tidas em conta… Os alunos estarão logo aprovados à partida.

Time Machine no Tiger ou no Linux

Há algum tempo atrás, depois de começar a usar um MacBook como a minha máquina principal, decidi voltar a meter o Tiger no meu PowerBook. Tendo em conta o pouco uso que lhe dou actualmente, chega perfeitamente. A única funcionalidade que senti mesmo falta, foi a Time Machine.

Tendo em conta que era uma funcionalidade que também me dava jeito no Linux, decidi investigar um pouco, para ver se encontrava alguma alternativa. Depois de ler isto e isto, consegui perceber o funcionamento da Time Machine. As scripts apresentadas nos sites indicados, tinha o problema de não fazer uma gestão tão elaborada dos backups antigos como a Time Machine. Assim, decidi fazer uma script um pouco mais completa.

O resultado final pode ser encontrado aqui.

É uma script Perl, que faz backups incrementais (usando o rsync), e que apenas apaga os antigos, caso seja usada uma opção disponível para esse efeito. A estratégia seguida para apagar backups antigos é semelhante à seguida na Time Machine: backups das últimas 24 horas, backups diários dos últimos 30 dias, e backups semanais no resto (no entanto, alterando algumas varáveis na script, podemos adaptar isto às nossas necessidade).

Para ter a script a correr de hora em hora, é só adicionar uma entrada no cron (o ideal seria usar o launchd, mas estava a ter alguns problemas com esta alternativa).

NOTA: A script foi testada em Linux (Debian 4.0) e em MacOSX, estando, aparentemente, a funcionar sem problemas. Ainda assim, recomendo algum cuidado com a sua utilização, pois pode conter bugs. Deverá funcionar em qualquer sistema UNIX, mas não testei em mais nenhum, para além dos 2 anteriormente citados.

Os macs são caros?

De acordo com um artigo da Tom’s Hardware, a resposta a esta pergunta não é o “sim” incondicional que muita gente teima em dar.

Já em vários momentos fiz pesquisas à procura de portáteis para recomendar a amigos, e era frequente chegar à conclusão de que o MacBook era uma das melhores opções. Em algumas discussões que tive que colegas sobre os preços dos macs, também chamava frequentemente à atenção para o facto de não se estarem a comparar máquinas exactamente iguais, e de, normalmente, algumas vantagens dos macs serem ignoradas. No entanto, sempre aceitei a ideia de que, tirando o caso do MacBook, os macs eram um pouco caros.

Hoje, depois de ler este artigo, The Apple Mac Cost Misconception, percebi que os macs não são significativamente mais caros quando comparados com pcs de qualidade equivalente (em vez de se fazer a comparação com pcs que fazem o mesmo). Isto pelo menos quando escolhemos os modelos base do macs. Os problemas são mesmo os upgrades, que na Apple já ficam bem mais caros do que consegue noutros lados…

Via TUAW.

Adopção de normas abertas nos sistemas informáticos do Estado

Se há coisa que me irrita, é passar a vida a receber documentos disponibilizados apenas no formato doc, muitos deles, provenientes de organismos públicos, e que sou obrigado a ler. Assim, fico contente por ver esta iniciativa PCP, que espero, venha a mudar esta situação, e outras igualmente limitadoras da liberdades dos cidadãos.

Projecto de Lei n.º 577/X – Normas abertas para informática do Estado

Exposição de Motivos

Numa época em que os Estados recorrem cada vez mais à desmaterialização de processos administrativos e aos suportes digitais, a gestão e a conservação de dados em formatos electrónicos assume uma dimensão de importância estratégica nacional.

Actualmente, as instituições continuam a emitir, trocar e e arquivar uma parte substancial da sua informação em suporte digital através de formatos proprietários. Trata-se de formatos de documentos cujas especificações técnicas não são tornadas públicas pelas empresas que os promovem – pelo contrário, estes formatos são normalmente cobertos por regimes de protecção da propriedade intelectual (como o registo de patentes ou o copyright).

Isto significa que, se a informação em causa é armazenada num formato que o fornecedor de software detém e controla, então pode acontecer que o Estado tenha a capacidade de possuir a informação, mas não tenha nenhuma maneira de a recuperar, excepto usando o software daquela empresa em questão. Se o titular dessa informação não a pode recuperar sem o consentimento do fabricante do software, então estamos perante uma situação de controlo da informação, com implicações que podem assumir a maior gravidade.

Daqui resulta claro que o Estado deve garantir a soberania e o controlo sobre a informação de que é titular, pelo que não pode emitir e manter documentos em formatos cuja utilização dependa potencialmente de opções estratégicas de empresas privadas. Em larga medida, é isso que sucede actualmente. Ainda hoje, no portal da Assembleia da República na Internet, recentemente remodelado, o acesso dos cidadãos aos textos das iniciativas legislativas apresentadas no Parlamento (projectos e propostas de lei ou de resolução, etc.) é disponibilizado através de um formato proprietário, assim como outras informações e aplicações.

Esta situação suscita outro problema central, que se prende com o respeito pela liberdade de opção dos cidadãos na utilização de tecnologias, que o Estado tem evidentemente o dever de garantir e promover. Os cidadãos e as organizações devem poder optar livremente pelas soluções informáticas da sua conveniência e preferência, ao invés de lhes ser imposto pelo Estado, directa ou indirectamente, o recurso a determinadas marcas ou produtos.

Ainda na Sessão Legislativa que agora termina, o Grupo Parlamentar do PCP teve a oportunidade de alertar [Requerimento n.º 949/X (3.ª) AC de 20/3/08] para a situação que actualmente se verifica em todos os municípios: a Direcção-Geral das Autarquias Locais exige, para efeitos de fiscalização do cumprimento da Lei das Finanças Locais, que as câmaras municipais instalem e utilizem uma aplicação informática (“SIAL”) que, segundo instruções da própria Direcção-Geral, só pode funcionar em computadores com os seguintes programas: sistema operativo Microsoft Windows XP (ou superior); Microsoft Office 2003; Microsoft Office 2003 Web Components e Microsoft Internet Explorer 6.0 ou superior (ou compatível) com ligação activa. Trata-se de um exemplo particularmente negativo de dependência tecnológica do Estado para com tecnologias proprietárias, imposta e promovida directamente pelo Poder Central.

Pelo contrário, o que já sucede com o Diário da República Electrónico demonstra que é possível optar por formatos abertos para a publicação de documentos oficiais, respeitando e cumprindo aliás recomendações do Consórcio W3C (consórcio internacional responsável pela rede www), inclusivamente no que concerne à acessibilidade e ergonomia dos conteúdos disponibilizados. Recorrendo ao formato aberto “PDF” (portable document format), cujas especificações técnicas e direitos de propriedade intelectual pertencem já na sua parte substancial ao domínio público, o Estado português garante assim, no presente e no futuro, o acesso público aos documentos em questão. O que é particularmente importante quando os documentos em causa são as páginas do Diário da República…

Em suma, serviços públicos – e documentos públicos – não podem recorrer a formatos privados (proprietários). O próprio conceito de documento público implica a existência de formatos públicos, e isso significa a aplicação de normas abertas. Por outro lado, por razões de eficiência, soberania e segurança, é indispensável promover a interoperabilidade dos sistemas informáticos do Estado.

Interoperabilidade pressupõe compatibilidade de sistemas. Segundo a definição da ISO (a organização Internacional para a Padronização), que é aliás adoptada no articulado deste projecto de lei, trata-se da capacidade de dois ou mais sistemas (computadores, meios de comunicação, redes, software e outros componentes de tecnologia da informação) de interagir e de trocar dados de acordo com um método definido, de forma a obter os resultados esperados. Esta interacção, para ser universal no presente e no futuro, exige que os formatos definidos como norma – os standards – sejam abertos, isto é, possam ser livremente utilizados.

Por todas estas razões, este é um assunto suficientemente importante para justificar a aprovação de uma Lei da Assembleia da República.

[...]

Via Software Livre no Sapo.

PS: Não deixa de ser irónico que, no site da Assembleia da República, tenham disponibilizado o documento no formato doc.

Time Machine e SMB

Depois de alguns dias de luta, finalmente consegui pôr a Time Machine a fazer backups para o disco do router!

Primeiro comecei por tentar usar SMB, e depois alguns problemas com permissões, lá consegui montar o volume com permissões de escrita. No entanto, quando tentava fazer o backup, dava sempre erro.
Depois, tentei pôr Netatalk a funcionar no router, para partilhar o disco por AFP, que sendo o protocolo da Apple, funcionaria de certeza com a Time Machine. Apesar de ter conseguido instalar o software necessário, nunca consegui arrancá-lo.
Depois virei-me para o NFS, e depois de muito tempo perdido de volta do ficheiro de configuração (mais uma vez, para acertar permissões), e de mais algum tempo de volta de um problema que fazia com que não conseguisse montar o volume no MacOSX, lá consegui ter o disco disponível. Mais uma vez, quando fui tentar usar a Time Machine com o disco, não consegui.
Pelo meio, ainda tentei usar FTP, mas a Time Machine nem aceitava o volume.

Resolvi então voltar a virar-me para o SMB (por ser o mais simples de pôr a funcionar no router), e tentar resolver o erro da Time Machine. Foi então que cheguei a este site, e depois de mais algumas hora, lá consegui fazer o backup!

Ficam então aqui os passos necessários para se pôr a Time Machine a usar um volume SMB.

O primeiro passo é, obviamente, pôr o SMB disponível, com permissões de escrita. Por omissão, a Time Machime não vai ver este volume, e não o poderemos escolher. Para corrigir este problema, basta executar o comando:

defaults write com.apple.systempreferences TMShowUnsupportedNetworkVolumes 1

Agora já podemos escolher o volume nas preferências da Time Machine. No entanto, no meu caso, quando tentava fazer o backup, depois de algum tempo em preparação, obtinha um erro a dizer que não conseguia criar a imagem.

Para resolver este problema, a solução parece ser criar uma sparsebundle image para a Time Machine usar. Isso pode ser feito através do Terminal, com o comando:

hdiutil create -size <tam>g -fs HFS+J -type SPARSEBUNDLE -volname <nome_vol> <nome_comp>_<mac_addr>.sparsebundle

Onde:

  • <tam> é o tamanho da imagem a criar, e será o tamanho máximo disponível para os backups (neste caso, a unidade é GB)
  • <nome_vol> é o nome que vamos dar à imagem (este parâmetro não é muito relevante)
  • <nome_comp> é o nome do computador (pode ser visto em System Preferences > Sharing)
  • <mac_addr> é o mac address da placa ethernet

No meu caso, fiquei com um comando semelhante a este:

hdiutil create -size 20g -fs HFS+J -type SPARSEBUNDLE -volname "Backup rcg" rcg_003f3baf65f1.sparsebundle

Depois disso, move-se a imagem criada para o volume onde queremos fazer os backups (não é boa ideia criar a imagem directamente onde vamos fazer backup, pois o processo será mais lento).

Supostamente, isto devia ser suficiente para os backups passarem a funcionar… No meu caso, ainda estava a obter um erro, a dizer que não conseguia montar o volume. Só quando desconectei o volume é que os backups deixaram de dar problemas (isto é um pouco estranho, mas pronto).

E é isto, agora já não preciso de passar a vida a ligar e desligar o disco externo. A velocidade não é grande coisa, mas se não fizerem grandes alterações às pastas que fazem backups, deve ser suficiente.
De referir que já li alguns relatos de erros que levaram à perda dos backups, por isso, se estes forem muito importantes para vocês, recomendo que não usem (apenas) este método.

“Tem algo a dizer? Não hesite! :)”

Esta frase pode ser encontrada acima da caixa de comentários de um blog que costumo ler. No entanto, acho que os autores do blog deviam fazer uma ligeira alteração à frase: “Tem algo a dizer? Se concorda connosco, Não hesite! :)”.

Na sequência da discussão deste post, resolvi fazer alguns comentários. Não ao post em si, pois acreditei que até era verdade o que diziam (aparentemente, depois de vermos alguns comentários, percebemos que algumas informações talvez não sejam totalmente verdadeiras), e faziam muito bem em informar os consumidores. Apenas respondi a alguns comentários já existentes (sendo o que motivou a minha primeira intervenção, da autoria do autor do post), com os quais não concordava.

Vai-se lá saber porquê (algo me diz que foi por discordar das ideias dos autores do blog), os meus comentários foram apagados. Acho que censurar comentários num blog (ou num fórum, ou noutra coisa semelhante) é mau, e só demonstrar que algumas pessoas apenas querem impor as suas ideias aos outros, sem as discutir sequer. Mas há alguns motivos pelos quais aceito que se tome essa atitude, nomeadamente, quando os comentários se afastam do assunto em discussão, o que até era o caso. Não sei se foi este o motivo, mas se foi, tendo em conta que no meu primeiro comentário me limitei a responder a uma questão implícita num comentário do autor do post, se calhar não devia ser só o meu comentário a ser apagado. Além disso, todos os outros eram respostas a comentários que se mantinham fora do assunto inicial, mas que não fora apagados (será porque eram favoráveis às opiniões do blog?).

Mas o pior de tudo, é que as respostas aos meus comentários continuaram por lá. Ora isto parece-me uma falta de seriedade bastante grande, pois deixam as pessoas fazerem-nos as críticas que quiserem, e retiram-nos a hipótese de nos defendermos e refutarmos essas críticas. Mais ainda, numa das respostas do autor do post (que pode ser vista no fundo da imagem que está neste link*), este dá a ideia que eu defendo uma coisa, quando eu tinha dito explicitamente no final de um comentário que ele cita, que não defendia isso (curiosamente, omitiu na citação a parte onde eu dizia isso), e coloca-me questões às quais ele (pressuponho que sendo um dos autores do blog também tenha alguma responsabilidade nos comentários que são apagados) não me dá a hipótese de responder.

Penso que isto é particularmente grave, sobretudo o facto do autor do post ter deixado uma resposta a um comentário que apagou (se não foi ele, tal como já disse, penso que devia poder intervir no assunto), e que sabe que não pode ser criticada. É curioso que sejam atitudes tomadas por pessoas que se dizem defensoras da liberdade (ou pelo menos da liberdade no software)… Parece que têm um conceito de liberdade estranho.


* Na mesma imagem, podem ver na parte de cima a citação de um post que parece deitar por terra a afirmação de que “O iPhone bloqueia o Software Livre” presente no post inicial (que se intitula 5 motivos para evitar o iPhone 3G), mas curiosamente, o autor da resposta, que é o também o autor do post, ignora que a sua afirmação parece ser inválida, e em vez de tentar mostrar que não, resolve tentar encontrar outros defeitos na política da Apple (sublinho que também acho que não faz qualquer sentido que a Apple controle o software que é instalado no iPhone, e que obrigue os programadores a darem-lhe parte das receitas obtidas com a comercialização de software para o iPhone).
E já agora, aparentemente, a afirmação do “iphone tracking” também é falsa, pelo menos já há lá um comentário a dizer porquê, e ainda não vi ninguém a mostrar que ele estava errado.
É claro que os erros continuam no post inicial, o que dá a entender que o objectivo dos autores não é informar os consumidores de possíveis defeitos do iPhone, mas defender cegamente um ponto de vista.


(editado a 14 de Julho de 2008, às 15:35)

NOTA: O Rui Seabra (autor do post em discussão), deixou alguns esclarecimentos ao assunto. De acordo com o mesmo, tratou-se de um problema do sistema anti-spam. Para mais esclarecimentos podem ler os comentários.
De referi que, à data da escrita deste post, as afirmações que fiz eram válidas (embora algumas das suposições o pudessem não ser, nomeadamente no que respeita às possibilidades do Rui Seabra intervir no assunto).
Por último, agradeço o facto deste ter recuperado os meus comentários.