Arquivo Anual: 2007

Sobre a educação em Portugal

Doutores e engenheiros

É com tristeza que comunico ao auditório o nosso 37º lugar no PISA. O programa da OCDE que persiste em enxovalhar-nos não ficou impressionado com os nossos conhecimentos científicos, linguísticos e matemáticos. Entre 57 países, ocupamos a terceira parte da lista, abaixo da média e muito atrás da Finlândia, que continua a liderar o barco. Como explicar esta sazonal desvergonha? O Ministério da Educação, em atitude que se aplaude, não cede ao populismo fácil de quem aconselha mais estudo nas referidas matérias. Para o Ministério, o problema está na ‘disfunção’ do sistema, que persiste em ‘reter’ os nossos jovens quando a atitude mais sensata seria aprová-los com distinção. Nas palavras corajosas de Jorge Pedreira, secretário de Estado-adjunto, “a retenção não é normal” (Freud, naturalmente, discordaria). Espera-se que o Ministério aprenda a lição e, a partir do próximo ano, faça o que lhe compete: no início da escolaridade obrigatória, entregar a cada criança um diploma universitário. E depois enviar o retrato para a OCDE. Se o PISA não se espanta com um país de poetas, talvez respeite um Portugal precocemente coberto por doutores e engenheiros.

ASAE em greve

Funcionários em protesto por tempo indeterminado

Os funcionários da Autoridade para a Segurança Alimentar e Económica (ASAE) entram em greve a partir do dia 20. De acordo com o Jornal de Notícias, a Associação Sindical decidiu parar, por tempo indeterminado, e em diferentes horários que incluem sábados, domingos e feriados.

Esta é uma das poucas vezes em que apoio uma greve 🙂 Espero que se prolongue por muito tempo. Pelo menos não andam para aí a fazer estragos, e são sempre uns milhares que se poupam em salários…

Dois tipos de programadores…

Two Types of Programmers

There are two “classes” of programmers in the world of software development: I’m going to call them the 20% and the 80%.

The 20% folks are what many would call “alpha” programmers — the leaders, trailblazers, trendsetters, the kind of folks that places like Google and Fog Creek software are obsessed with hiring. These folks were the first ones to install Linux at home in the 90’s; the people who write lisp compilers and learn Haskell on weekends “just for fun”; they actively participate in open source projects; they’re always aware of the latest, coolest new trends in programming and tools.

The 80% folks make up the bulk of the software development industry. They’re not stupid; they’re merely vocational. They went to school, learned just enough Java/C#/C++, then got a job writing internal apps for banks, governments, travel firms, law firms, etc. The world usually never sees their software. They use whatever tools Microsoft hands down to them — usally VS.NET if they’re doing C++, or maybe a GUI IDE like Eclipse or IntelliJ for Java development. They’ve never used Linux, and aren’t very interested in it anyway. Many have never even used version control. If they have, it’s only whatever tool shipped in the Microsoft box (like SourceSafe), or some ancient thing handed down to them. They know exactly enough to get their job done, then go home on the weekend and forget about computers.

Shocking statement #1: Most of the software industry is made up of 80% programmers. Yes, most of the world is small Windows development shops, or small firms hiring internal programmers. Most companies have a few 20% folks, and they’re usually the ones lobbying against pointy-haired bosses to change policies, or upgrade tools, or to use a sane version-control system.

Shocking statement #2: Most alpha-geeks forget about shocking statement #1. People who work on open source software, participate in passionate cryptography arguments on Slashdot, and download the latest GIT releases are extremely likely to lose sight of the fact that “the 80%” exists at all. They get all excited about the latest Linux distro or AJAX toolkit or distributed SCM system, spend all weekend on it, blog about it… and then are confounded about why they can’t get their office to start using it.

[…]

Quem quiser ler mais: http://blog.red-bean.com/sussman/?p=79

MacVim

Agora já temos um port minimamente decente do Vim para Mac OS X. Apesar de gostar de usar a versão do terminal, esta tem algumas limitações, nomeadamente a nível de cores e dos atalhos de teclado (além disso, às vezes não dá jeito ter que ir ao terminal para abrir um ficheiro). No que diz respeito a este último problema, esta versão funciona particularmente bem, e no geral, está bastante bem integrada no Mac OS. Ainda tem alguns bugs, mas nada de mais…

Mais informações disponíveis aqui.

Saber negociar…

Jacob, um negociador ‘sangue frio’, diz a seu filho:
– Filho, escolhi com quem te deves casar.
– Mas pai, eu quero escolher a minha própria noiva.
– Quero que cases com a filha do Bill Gates.
– Bom, nesse caso…

Jacob então telefona para Bill Gates, dizendo:
– Bill, Tenho aqui um jovem que quer casar com a sua filha.
– O quê?! Isto é um absurdo! A minha filha é muito jovem para se casar!
– Mas este jovem é vice-presidente do World Bank.
– Bom, nesse caso…

Jacob telefona então para o presidente do World Bank:
– James, tenho um jovem aqui que é um excelente candidato para vice-presidente do World Bank.
– Vice-presidente?! Mas eu já tenho tantos vice-presidentes!
– Ele é genro do Bill Gates.
– Bom, nesse caso…

Se a MicroSoft fabricasse automóveis…

  • Um modelo de automóvel de um determinado ano só estaria disponível no ano seguinte.
  • Sempre que o tracejado das estradas fosse pintado de novo ou os sinais de trânsito fossem alterados, seria necessário trocar de carro.
  • De vez em quando, o carro pura e simplesmente deixaria de funcionar e seria necessário pô-lo novamente a trabalhar. Por qualquer razão estranha, nós acharíamos isso normal.
  • Só poderíamos ter uma pessoa no carro de cada vez, a menos que possuíssemos um Automóvel 95 ou um Automóvel NT. Mas, nesse caso, teríamos de comprar mais assentos.
  • A Sun Motorsystems produziria um automóvel movido a energia solar, duas vezes mais fiável e cinco vezes mais rápido, mas só conseguia andar em 5% das estradas.
  • As luzes de aviso do óleo, da temperatura do motor, do nível da gasolina e da bateria seriam substituídas por uma única luz de aviso rotulada de “General Car Fault”. O condutor é que teria de adivinhar o problema…
  • As pessoas ficariam entusiasmadas com as “novas” capacidades dos carros Microsoft, apesar de estarem disponíveis noutras marcas desde há anos.
  • De tempos a tempos, ao fazer uma manobra, o motor pararia e não voltaria a arrancar. Haveria então que reinstalar o motor.
  • Teríamos todos de mudar para gasolina e óleo Microsoft, sob pena de correr o risco de se ficar parado.
  • O air bag perguntaria ao condutor “Tem a certeza?” antes de começar a encher.
  • Para evitar que mudasse-mos de marca de carro, a Microsoft ofereceria todos os anos um novo conjunto de pneus Explorer gratuitamente.
  • Os automóveis Microsoft seriam vendidos de forma standard com um auto rádio leitor de cassetes que só permitiria ler cassetes Microsoft e que só captaria a frequência Microsoft FM.

DRM

Nos últimos anos, a indústria musical tentou combater a pirataria dos produtos que comercializam através do DRM. Mas ao que parece, as coisas não correm muito bem, isto porque o DRM não só não impede a pirataria, como acaba por prejudicar as pessoas que compram os produtos legalmente, que vêem o acesso às obras pelas quais pagaram restringido, o que não incentiva as pessoas a recorrer a vias legais para comprar os produtos.

Por isso, não foi de admirar que algumas empresas começassem a mudar de política. É o caso, por exemplo, da Apple e EMI, que há uns meses atrás, decidiram começar a vender música sem DRM, ou da Amazon, que também já disponibiliza músicas de várias editoras sem DRM.

Mas agora, um grupo musical decidiu ir mais longe, os Radiohead resolveram disponibilizar o seu novo álbum na internet, deixando ao critério de cada um quanto vai pagar por ele. Esperemos que consigam mostrar às editoras que a solução para a pirataria passa por uma mudança no modelo de negócio, e não pelas restrições do DRM.

Lembram-se do Velho do Restelo?

Os anti-OGM têm muitas semelhanças como esta figura.

Um artigo que vale a pena ler:

OS RISCOS DOS TRANSGÉNICOS

[…]

Os críticos dos OGM não têm argumentos suficientes para os contestar com base nos riscos conhecidos. Habitualmente recorrem ao fantasma dos riscos hipotéticos que ainda não conhecemos. Defendem uma filosofia de risco mais conservadora que a filosofia seguida pelas autoridades reguladoras. Defendem que, dado que os seres vivos e os sistemas ecológicos são demasiado complexos, não devemos introduzir inovações artificiais com efeitos desconhecidos e potencialmente prejudiciais à saúde humana ou ao ambiente.

A abordagem conservadora dos críticos dos OGM tem dois problemas. Em primeiro lugar, os conservadores só o são nesta matéria específica. Mas, para funcionar, o conservadorismo tem de ser uma receita universal em relação a todos os riscos desconhecidos. Quem for conservador em relação aos OGM tem forçosamente de o ser em relação a outras inovações tecnológicas ou sociais. Quem for contra um tipo de inovação porque ela interfere com o desconhecido, tem de ser contra todas, porque não é possível saber a priori qual é que dará origem a um desastre. Em segundo lugar, o conservadorismo conduz a sociedade à estagnação. Uma sociedade que não corre riscos desconhecidos também não colhe os benefícios da inovação.

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